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II FÓRUM NACIONAL DE MÍDIA LIVRE

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II Fórum de Mídia Livre define prioridades para CONFECOM

A plenária de encerramento do II Fórum de Mídia Livre definiu as prioridades dos midiativistas para a I Conferência Nacional de Comunicação. Entre elas esta a elaboração de um novo marco regulatório para o setor, a defesa da radiodifusão comunitária, a transparência e democracia nas concessões de canais de rádio e televisão, o fortalecimento da rede pública de comunicação, o direito a banda larga, gratuita, para todos e a democratização da publicidade oficial. O Fórum, também, aprovou a criação de uma rede de solidariedade e defesa da mídia livre e das rádios comunitárias. O fórum terminou no inicio da tarde de domingo, no campus da Universidade federal do Espírito Santo. O FML decidiu dar prioridade para alguns temas, entre as 5. 345 propostas apresentadas pela sociedade civil nas conferências estaduais. Só assim será possível obter vitórias e fazer frente às 16 propostas apresentadas pelo segmento empresarial e os 39 itens defendidos pelo setor governamental. Já a criação de uma rede de proteção e defesa das mídias livres: blogs, radiodifusão comunitária, revistas independentes e sítios de notícias, têm por objetivo enfrentar a repressão policial sofridas pelas emissoras comunitárias e os processos sofridos por sítios de noticias independentes e por blogueiros. Estas ameaças à liberdade de expressão resultaram em cinco mil comunicadores populares condenados por operarem rádios comunitárias, em mais de 100 milhões de Reais em equipamentos apreendidos e em dezenas de processos movidos contra midiativistas, o que caracteriza uma censura econômica. A plenária final aprovou a proposta de reforçar os pontos de mídia livre como locais de formação da atores sociais. O Fórum, também, propôs a utilização do material produzido pela mídia livre na educação formal e não formal. No final do encontro foi escolhido um Grupo de Trabalho Executivo, composto por 18 integrantes, que coordenará o FML no próximo período.



As oportunidades abertas pela crise da grande mídia em debate na abertura do Fórum de Mídia Livre


O Jornalista Luis Nassif e o professor Giuseppe Cocco abriram os debates do II Fórum de Mídia Livre, na manhã desta sexta-feira. Nassif abordou a crise da mídia tradicional e citou como exemplo, a queda de circulação dos grandes jornais e as relações, cada vez mais próximas, da mídia tradicional com o mercado financeiro. Já o professor Cocco falou sobre os vínculos entre o capitalismo contemporâneo e a cultura, o que. Ele chama de “capitalismo cognitivo”, onde a produção de conhecimento assume o papel que no passado era desempenhado pela produção de bens materiais. Durante os debates surgiram questões como a importância das rádios comunitárias, que fazem o enfrentamento cotidiano a radiodifusão privada, e as possibilidades e limitações da internet.
Nassif explicou os métodos utilizados pelos grandes jornais e revistas para mascarar a queda nas vendas, como o envio de exemplares para pessoas que não solicitaram a assinatura, e que são contabilizados como se fossem assinaturas pagas. Assim os veículos mantêm uma tiragem artificialmente alta, o que evita que tenham que reduzir o valor cobrado pela publicidade. Ele, também denunciou as praticas não éticas no mercado de comunicação. Como a bonificação (desconto) que as empresas de comunicação oferecem para as agencias de publicidade pela veiculação de propaganda nos veículos. O desconto é embolsado pela agencia, que não o repassa para o cliente. Esta situação leva as agencias a priorizem a publicação de anúncios na grande mídia, em detrimento das pequenas publicações e da mídia regional. Nassif elogiou a pratica da SECOM – Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República - de veicular publicidade do governo federal na imprensa regional, o que contribui para quebrar com o monopólio dos grandes jornais e revistas. Para Nassif a crise dos meios tradicionais abre novas perspectivas para a mídia livre. Neste novo cenário a credibilidade do profissional passa a ter mais importância do que a marca do veículo.
O professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Giusepe Cocco afirmou que no “capitalismo cognitivo” a produção de significado passa a ter maior importância econômica do que a produção de bens materiais e, neste contexto a informação e a cultura assumem um papel crucial no desenvolvimento do capitalismo contemporâneo. Ele defendeu a “política do comum”, baseada no compartilhamento, em oposição à apropriação privada daquilo que é de todos.      


O papel do Estado no financiamento das mídias livres foi debatido no primeiro dia do FML

O debate sobre fortalecimento da mídia livre discutiu a importância do financiamento publico para garantir a pluralidade e a diversidade dos meios de comunicação. Outro tema abordado foi à necessidade de uma maior articulação entre mídia livre e economia solidaria, através da veiculação de publicidade e da transformação das mídias livres em empreendimentos de economia solidaria.
Foi reafirmada a importância de projetos como o do Premio de Pontos de Mídia livre, criado pelo Ministério da Cultura. As relações entre mídia livre e mercado também estiveram em pauta no debate. Foi apresentada a proposta de criação de um Fundo Nacional de Comunicação para financiar a radiodifusão comunitária. Também foi defendida a destinação de verbas publicas de publicidade para as emissoras comunitárias e a permissão para veiculação de publicidade privada, o que hoje é proibido pela legislação que regula a radiodifusão comunitária.


Rede ABRAÇO de Rádios Comunitárias é apresentada em discussão sobre pontos de mídia livre

A Rede ABRAÇO de Rádios Comunitárias foi apresentada para os participantes da desconferência “Juntando as pontas dos pontos de mídia livre”. A Rede ABRAÇO é um espaço de compartilhamento entre as rádios comunitárias. Através do sitio www.redeabraco.org as emissoras comunitárias podem postar programas para serem utilizados por outras rádios e efetuarem downloads de programas produzidos por outras emissoras. Todo o material disponibilizado no sitio permite a livre reprodução.
A pagina viabiliza a realização de transmissões, ao vivo, de eventos de interesse das rádios comunitárias, criando uma rede virtual. O sitio foi desenvolvidos em tecnologia livre e agrega recursos de compartilhamento disponíveis na rede, integrando-se com outros portais. Para preparar  as rádios comunitárias para a participação na Rede ABRAÇO foi realizado um seminário de formação, nos dias 9  e 10 de outubro, em Brasília. A Rede  ABRAÇO foi vencedora do premio pontos de mídia livre, do Ministério da Cultura.

Sustentabilidade da mídia livre é tema de debate

A desconferência “Juntando as pontas dos pontos de mídia livre” discutiu a garantia de recursos públicos e a transformação das mídias livres em empreendimentos de economia solidária. Foi defendida a efetivação das políticas de incentivo a cultura como políticas de Estado, através de leis. específicas. A criação de um mercado de prestação de serviços entre os pontos e pontões de cultura e de mídia livre, assim como junto aos demais empreendimentos de economia solidara, foi apontada como uma das formas de garantir a sustentabilidade da mídia livre. Mas, também, foi enfatizada a necessidade de garantia de recursos públicos para servirem de patamar mínimo para a viabilização das mídias livres. Assim como para assegurarem a sustentação daquelas iniciativas que não se encaixam na venda de serviços, por terem um cunho mais político.



Rede ABRAÇO transmitirá, ao vivo, o II Fórum de Mídia Livre 

O FML iniciará dia 4, sexta-feira e encerra-se no domingo, 6. A Rede ABRAÇO transmitirá o evento diretamente da Univerdade Federal do Espírito Santo, em Vitória. O evento terá a participação de ativistas, artistas, intelectuais, profissionais de comunicação, gestores públicos, empreendedores, estudantes, que debaterão uma agenda comum para os realizadores de mídia independente no país. Além da transmissão ao vivo de palestras pela Rádio Abraço NO AR por meio de parceria com a Rádio Fae, haverá ainda, oficinas pela internet, encontro nacional dos pontos de mídia (ligados ao Ministério da Cultura), encontro nacional de blogs políticos, colóquios de mídias sociais nas organizações e movimentos, lançamentos de livros, revistas e sites.
A cobertura do FML será feita também pela Agência Abraço de Notícias que disponibilizará boletins para os internautas durante todo o evento.
Participe!     


II Fórum Nacional de Mídia Livre
Vitória - Espírito Santo
Universidade Federal do Espírito Santo
4 a 6 de dezembro